segunda-feira, 14 junho 2021
- - - - - -
Educação Moral e Religiosa Católica

Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas - Porto

Encontro EMRC

Visitantes

Hoje 133

Ontem 237

Esta semana 133

Este mês 1373

Total 1585925

Neste momento: 9 convidados e nenhum utilizador em linha

SÃO A CORAGEM E A CRIATIVIDADE QUE IMPELEM O SONHO A TORNAR-SE REALIDADE

  • Publicado em terça-feira, 31 março 2020 16:36
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 330

 

Muitas vezes os nossos sonhos nascem e amadurecem sem que nós o decidamos, não são um ato de vontade, somos como que chamados por eles.

Os sonhos são depostos em nós como uma semente e polarizam tudo: por vezes torna-se um sim de toda a pessoa, outras vezes pensamos

que viver um sonho é demasiado pouco, e por isso deixamo-lo morrer e fazemos nascer outro.

...

Hoje vivemos a instabilidade dos sonhos a longo prazo, curamos um sonho com outro sonho, uma paixão com outra paixão,

um desejo com outro, sem permitir-lhes que se tornem realidade.

Os sonhos adoecem e morrem se não se tornam vida, se não permanecem dentro da fidelidade a nós mesmos,

se não nos fazemos hóspedes no seu mistério, se não sabemos esperar,

se os consideramos uma conquista em vez de um encontro.

...

A espera não é passividade, é fermento.

Não é fácil compreender se é desejo que gera em nós inquietude, ou é a inquietude que gera o desejo.

Somos doentes de infinito, andamos ansiosos não pelo pouco, mas pelas demasiadas ofertas,

os demasiados sonhos e desejos a que gostaríamos de ter acesso, mas a que não podemos chegar.

Deixámos adormecer a inteligência, essa capacidade de ler dentro de nós e dentro dos acontecimentos,

de transformar as paixões e os sonhos em ações.

Há uma desproporção entre aquilo que se pode e aquilo que se deseja.

...

Ainda que permaneçam vivos os sonhos, as emoções, a ternura,

estamos cansados de viver uma realidade esmagada que não abraça o sonho.

Os sonhos e as paixões requerem progressividade e paciência, criatividade e coragem para se tornarem vida.

São a coragem e a criatividade que impelem o sonho a tornar-se realidade.

O criativo não é o fantasioso, mas é aquele que é capaz de se sintonizar com a realidade,

e sabe criar harmonia entre o mundo em que vive e o mundo que vive nele.

Os sonhos precisam de paciência e de um passo de cada vez sem ter de recomeçar sempre do início;

precisam de tempo para fazer amadurecer em nós aquilo que ainda não foi resolvido no coração.

Para transformar os sonhos em realidade é necessário um tempo longo,

capaz de penetrar até ao coração da vida, onde os frutos libertam o seu perfume.

 

flor pormenor Easy

in  https://www.snpcultura.org/sonhos_sem_realidade.html

NÃO HÁ AMOR MAIOR

  • Publicado em quarta-feira, 25 março 2020 11:46
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 328

 

O P. Giuseppe Berardelli, de 72 anos, é descrito pelos seus amigos, pelo “seu” presidente do município, como um homem de coração.

Apesar de ter testado positivo para o coronavírus, e com evidentes dificuldades respiratórias, há alguns dias, decidiu sacrificar a sua vida por

uma outra pessoa com o mesmo problema.

Renunciou ao ventilador, que a sua comunidade paroquial tinha adquirido para ele, para que pudesse ser destinado a alguém mais jovem.

Alguns chamam-no o novo S. Maximiliano Kolbe, outros consideram-no herói, para outros é um santo.

Tudo apreços justos, mas o P. Giuseppe era apenas um padre, exclusivamente um padre.

Um padre alegre por o ser, que com a sua motocicleta e o seu ardor inflamaram, durante anos, a sua comunidade.

As suas obras dirigiam-se à comunidade e aos seus jovens, e a sua “última” obra não podia deixar de ser também assim.

Não chegámos a conhecer o P. Giuseppe, a não ser no fim da sua vida; conhecemo-lo pelo seu gesto de amor, e de imediato entrou-nos no coração...

Obrigado pelo teu testemunho.

Sem Título

 P. Enzo Gabrieli

In SIR
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: P. Giuseppe Berardelli | D.R.
Publicado em 24.03.2020

NOVOS MODELOS DE AMOR

  • Publicado em quarta-feira, 25 março 2020 11:37
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 383

 

Na Bíblia diz-se que Deus castiga o pecado com flagelos, mas o Cristianismo superou «totalmente» essa visão

 

 

O coronavírus está a mostrar «novos modelos de amor», mas é necessário enfrentá-lo não com medo, que conduz ao terror, mas com temor, que inspira esperança,

como também responsabilidade pessoal, considera o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, que comenta a posição daqueles para

quem o Covid-19 é um castigo enviado por Deus para punir a humanidade pecadora, e sublinha que a crise está a fazer sobressair o essencial em detrimento do superficial.

----

 

Tem uma atitude construtiva. Não tem sequer medo de ser contagiado?

 

Francamente, não, mas a reflexão que gostaria de fazer é sobre o medo:

um fator central na história da humanidade, baseado na distinção entre duas categorias bem separadas:

de um lado está o medo, que é uma emoção primária negativa, produz terror e conduz à irracionalidade quando cresce.

Do outro lado, por seu lado, está o temos, que é preocupação, mas também respeito.

A distinção aparece até na Bíblia, e é uma das declarações que se escreviam nos edifícios sagrados:

«O princípio da sabedoria é o temor do Senhor».

Temor significa, portanto, estar consciente da complexidade da realidade,

que nós não somos árbitros absolutos do ser e do existir.

O temor é uma virtude, e em certa medida uma necessidade

que está a conquistar espaço nestes dias, e que deveria ser de todos.

---

 

No entanto, o que prevalece hoje é o medo…

 

Montaigne dizia: o medo é a coisa de que tenho mais medo.

Entendia-o como um excesso de histeria, porque quando predomina sobre tudo adquire uma coloração negativa.

Sófocles acrescentava: para quem tem medo, tudo são rumores.

O temor, ao contrário, é diferente, porque supõe que haja a consciência da dificuldade e o esforço para a superar.

O temor, no fundo, é uma virtude, portanto um empenho.

O temor, entre outros aspetos, não pode existir sem esperança, e a esperança sem temor.

Só com o medo, está-se sozinho à mercê de um resvalar para o terror.

---

 

Transformar o medo do contágio em apenas temor do contágio não é propriamente uma passagem mental simples…

 

É preciso levar tudo para uma atitude positiva.

Por exemplo, começar a compreender o limite da criatura humana.

A nossa fragilidade. Num período de triunfo da autonomia, da autossuficiência, da tecnologia, estamos expostos a um limite.

Somos frágeis, e a descoberta deste fator não está dada como adquirida.

O desafio dos jovens que desafiam o contágio. Não têm ainda a perceção sapiencial de que não somos eternos.

---

 

Depois há o tema da ciência…

 

E é preciso exaltar-lhe sempre a grandeza por aquilo que consegue efetivamente fazer,

mas é preciso compreender que não pode tudo.

A vacina contra o coronavírus, por exemplo, ainda não foi encontrada.

A ciência tem percursos que não esgotam todas as questões.

A ciência não consegue resolver o medo, o aspeto existencial.

Aqui devem estar mais presentes a cultura e as religiões.

---

 

O que é que esta crise nos está a fazer entrever?

 

Que vemos avançar os novos modelos de amor.

Veja-se a fotografia da enfermeira que adormece, esgotada, sobre o teclado.

É o símbolo da generosidade num mundo tendencialmente egoísta.

Os médicos que arriscam os contágios são um outro exemplo de amor não retórico, mas concreto.

---

 

O vírus não olha ninguém no rosto…

 

É como se se estivesse a criar uma escala de valores melhor. Como quando se tem de enfrentar uma doença grave.

Mesmo que se tenha muito dinheiro e a possibilidade de ter tratamentos melhores, a escala de valores assume outra disposição.

Os afetos, por exemplo, como também a invocação a Deus por parte do não crente. Nem tudo se reconduz à concretização do egoísmo imediato.

Nestes dias há maior preocupação com os familiares, com o cônjuge. Há uma educação que é chamada a paideia da dor.

Saul Bellow repetia que o sofrimento, por vezes, serve para expulsar o sono da razão e o vazio da humanidade.

A banalidade superficial é colocada em crise, e as coisas essenciais tornam-se fundamentais.

---

 

O coronavírus está a esfarelar o tabu da morte?

E de que maneira. Está a fazer-nos compreender que não somos eternos. Somos morredoiros.

Na nossa sociedade, a ideia da morte tinha-se tornado a grande apátrida. Ninguém a queria.

Era até considerado pouco educado falar dela.

A este termo eram preferidos sinónimos, como falecimento, desaparecimento.

Não se podia, depois, fazê-la ver às crianças.

Por outro lado havia a pornografia da morte, isto é, o excesso de imagens que ciclicamente aparecem na internet.

O coronavírus reposicionou a ideia de morte como percurso natural da nossa vida.

Devemos fazer as contas.

---

 

Há fundamentalistas cristãos para quem o vírus é o castigo de Deus.

 

São conceções retributivas que estão na Bíblia.

Deus manda os flagelos porque pecámos.

Mas no cristianismo esta visão é totalmente superada.

Jesus não nos abandona na nossa morte, fica ao nosso lado.

Sempre.

 

ENFERMEIRA

https://www.snpcultura.org/na_biblia_diz_se_que_Deus_castiga_pecado_com_flagelos_mas_cristianismo_superou_totalmente_essa_visao.html

 Franca Giansoldati

In Cortile dei Gentili
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: marketanovakova/Bigstock.com
Publicado em 23.03.2020

REDESCOBRIR O PODER DA ESPERANÇA | CARDEAL TOLENTINO MENDONÇA

  • Publicado em terça-feira, 24 março 2020 23:53
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 427

 

Que a quarentena não seja só um violento recurso forçado, do qual vemos apenas os aspetos negativos.

Este pode ser o momento para irmos ao encontro daquilo que perdemos; daquilo que deixamos sistematicamente por dizer;

daquele amor para o qual nunca encontramos nem voz nem vez; daquela gratuidade reprimida que podemos agora saborear e exercer

 

 

PODEMOS REAPRENDER TANTAS COISAS

 

Parece paradoxal, mas o tempo presente representa também uma oportunidade para nos reencontrarmos.

Confinados a um isolamento compreendemos talvez melhor o que significa ser — e ser de forma radical — uma comunidade.

A nossa vida não depende apenas de nós e das nossas escolhas: todos estamos nas mãos uns dos outros,

todos experimentamos como é vital esta interdependência, esta trama feita de reconhecimento e de dom,

de respeito e solidariedade, de autonomia e relação. 

Todos esperam uns dos outros e estimulam-se positivamente a que façam a sua parte.

Todos contam. Os cuidados individuais, que somos chamados a exercitar,

não são a expressão de uma fobia ou do interesse próprio apenas, como se destinados

a nos enclausurar na torre de marfim do nosso ego. 

São, sim, a forma de colaborar para uma construção maior,

de colocar os outros no centro, de sacrificar-se por eles,

de privilegiar o bem comum.

Esta é a hora em que podemos, de facto, reaprender tantas coisas.

Podemos reaprender a estar nas nossas casas,

mas também a sentir que depende de nós o nosso prédio, a nossa rua,

o nosso bairro, a nossa cidade, o nosso país, dando substância efetiva a palavras,

tantas vezes destituídas dela, como são as palavras proximidade, vizinhança, humanidade, povo e cidadania.

Podemos reaprender a utilizar as redes sociais não só como forma de divertimento e de evasão,

mas como canais de presença, de solicitude e de escuta.

Sem nos tocarmos, podemos reaprender o valor da saudação,

o estímulo de um cumprimento, a incrível força que recebemos de um sorriso ou de um olhar.

Sem que os nossos braços se estendam na direção uns dos outros podemo-nos abraçar afetuosamente,

como já o fazíamos ou de um modo mais intenso ainda,

transmitindo nesses abraços reinventados o encorajamento, a hospitalidade,

a certeza de que ninguém será deixado só.

Sem nos conhecermos podemos finalmente reaprender a não votar ninguém à indiferença

ou a não tratar os nossos semelhantes como desconhecidos.

Nenhum ser humano nos é desconhecido, pois sabemos por nós próprios o que é um ser humano:

o que é esse pulsar de medo e de desejo, essa mistura de

escassez e de prodigalidade,

esse mapa que cruza o pó da terra com o pó das estrelas.

 

A DISTÂNCIA E A PROXIMIDADE

 

Conhecemos a semântica da proximidade e da distância, e, para dizer a verdade, precisamos de ambas.

São elementos de comprovada importância na arquitetura do que somos: sem uma ou sem outra nós não seríamos.

Sem a proximidade primordial nem seríamos gerados. Mas também sem a separação e a distinção progressivas a nossa existência não teria lugar.

Na linguagem parabólica do livro do Génesis, Deus cria o homem amassando-o da argila da terra e oferecendo-lhe o seu próprio sopro,

mas depois deixa o casal humano a sós no jardim para que a aventura da liberdade possa ter início.

Do mesmo modo, cada um de nós, foi chamado a construir o seu mundo interno no balanço destas duas palavras: fusão e distinção.

E através delas descobrimos, a tatear, o significado do amor, da confiança, do cuidado, da criação e do desejo.

 

 

 DE QUARENTENA A TEMPO GRATUITO

  

 Passamos uma vida inteira a repetir que “time is money” e nem nos apercebemos do custo existencial dessa proposição.

Este pode ser o momento para irmos ao encontro daquilo que perdemos; daquilo que deixamos sistematicamente por dizer;

daquele amor para o qual nunca encontramos nem voz nem vez; daquela gratuidade reprimida que podemos agora saborear e exercer.

Temos de olhar para a quarentena não apenas como um adverso congelamento da vida que nos deixa manietados,

elencando de modo maníaco o que estamos a perder.

Sairemos mais amadurecidos se a aproveitarmos como um dom,

como um espaço plástico e aberto, como um tempo para ser.

 

 

AS HISTÓRIAS DE AMOR QUE ESTÃO A SER ESCRITAS

 No meio da emergência que vivemos, não podemos esquecer o testemunho humano altíssimo que está a ser dado por todos os cuidadores.

Esses são heróis desta história coletiva. E são milhões que, de forma anónima, e com um extraordinário sentido de abnegação,

mantêm abertas fábricas e serviços, continuam a produção alimentar e de bens indispensáveis, vigilam pela segurança e, claro,

nos hospitais combatem por todos nós na primeiríssima linha.

Enumero três histórias minúsculas no universo de bem e dedicação que, nestes dias tão difíceis, se está também a construir.

No sábado fui à pequena padaria do meu bairro. É o proprietário que atende ao balcão, um senhor dos seus setenta e muitos,

um olhar cheio de cordialidade, um humor sempre a assomar. Vi-o, como o nunca vi, desolado, meditabundo, exausto. 

Perguntei-lhe se a padaria continuaria aberta. E ele confessou que por ele já a teria fechado. Mas depois começa a pensar nos clientes,

nas pessoas que serve há tantos anos, muitas delas idosas como ele: como farão, se não há outra padaria nas redondezas! Outra história lia no jornal.

Uma senhora ligou para o posto da polícia do seu quarteirão, que naturalmente continua aberto, apenas para fazer esta pergunta:

“E vocês como estão?” A terceira é contada, sem palavras, por uma fotografia que mostra os bastidores de um hospital.

Uma enfermeira adormecida com a cabeça em cima de um teclado do computador. Tem os óculos e a máscara colocados no rosto.

Os braços caídos ao longo do corpo, sem nenhum apoio. É uma imagem comovedora, no seu desamparo extremo, porque se percebe tudo.

Há já quem diga que a geração que vive o turbilhão desta pandemia olhará inevitavelmente para a vida de outra maneira.

Esperemos que sim.

Mas que na equação, que porventura espoletará uma mudança de mentalidade, entre não só o poder desconhecido do medo e da urgência,

que nos faz relativizar tanta coisa.

Que saibamos considerar devidamente todas as histórias de amor que estão a ser escritas,

a começar por esta inteira multidão de profissionais e de voluntários que aproximam da nossa experiência hodierna a inesquecível parábola do bom samaritano. 

 

 

AS MÃOS SUSTÊM A ALMA

 

Foi Pascal que escreveu que “as mãos sustêm a alma”.

Hoje precisamos de mãos — mãos religiosas e laicas — que sustenham a alma do mundo.

E que mostrem que a redescoberta do poder da esperança é primeira oração global do século XXI.

 

 

sede 20180223 pc

 

José TOLENTINO MENDONÇA, Redescobrir o Poder da Esperança, in Expresso.

A Revista do Expresso, 2473, 21. 03. 3020, 23-29.

 

 

 

Casa Diocesana de Vilar e SDEIE - ENCERRAMENTO DE INSTALAÇÕES

  • Publicado em segunda-feira, 16 março 2020 23:11
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 806
Caros Professores:
 
 
Tendo em conta a situação grave que vivemos, e de forma a garantir a prevenção do alastramento do novo coronavírus, informamos que a Casa Diocesana de Vilar, onde o SDEIE tem instalações, estará encerrada, por tempo indeterminado.
 
Contudo, o encerramento do espaço físico não significa a suspensão do nosso trabalho ao vosso serviço, ao serviço da nossa disciplina; antes pelo contrário!
 
O nosso telefone fixo está reencaminhado e o contacto do diretor do SDEIE está disponível, em permanência, para acolher qualquer necessidade. Disponham!
 
A EMRC pede e precisa da corresponsabilidade de todos, nos diferentes lugares onde trabalhamos. 
 
O nosso email e página continuarão a ser uma verdadeira fonte de comunicação.
 
Queremos continuar atentos uns aos outros... contem com o SDEIE!
Casa Diocesana