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CARTA ABERTA AOS PROFESSORES E EDUCADORES

  • Publicado em segunda-feira, 18 maio 2020 14:00
  • Escrito por SDEIE
  • Acessos: 406

 

Neste tempo tão difícil para todos, seria muito importante que se pudesse construir

uma grande aliança entre professores, alunos e pais.

Que se evitassem os excessos das práticas de escolarização,os mal-entendidos,

as reclamações que não têm em conta os contextos turbulentos da ação.

Sabendo as óbvias dificuldades deste programa, enuncio-o,

acreditando no horizonte de possibilidades.

Frágeis e contingentes, certamente.

Mas confiando nas inteligências e nas sensibilidades

dos que fazem da educação o primeiro de todos os ofícios.

 

 

5. A perda do olhar e o icebergue do silêncio.

 Neste tempo de distância perdemos o olhar de alunos e professores.

Esta é uma das perdas maiores.

Podendo embora interagir, o olhar digital não tem nada a ver

com o olhar humano próximo e sensível.

É um olhar cibernético e frio incapaz de perceber

as vibrações da alma dos alunos.

É uma perda irremediável que nenhuma plataforma

ou televisão pode remediar.

E o silêncio cresce nesta distância.

O professor fala para um universo de alunos que não vê

e raramente ouve e não tem de os mandar calar.

A fala discente tende a ser residual.

A pedagogia da ternura e do afeto esvai-se pelas ruas da amargura.

Nos tempos bilaterais, na ação tutorial que também é possível,

temos de suprir o mais possível estas perdas. Estas feridas.

 

6. Gerar aprendizagens múltiplas, diferentes, recontextualizadas.

 Este deve ser a ambição maior dos educadores e professores.

Fazer com que os seus alunos aprendam.

E como é que os alunos aprendem?

Os alunos aprendem ensinando (explicar, resumir, estruturar, esquematizar….),

fazendo (escrever, fotografar, legendar narrar uma história, dramatizar, relatar, interpretar, descrever, catalogar….),

falando (argumentar, interagir, enumerar…).

Para que isto possa ser possível os professores têm de falar pouco,

elevar os patamares de uma planificação mais estruturada e aberta,

passível de ser concretizada nas Zonas de Desenvolvimento Proximal dos seus alunos (todos iguais e todos diferentes).

Pensar em situações que levem os alunos a refletir, a agir, a pesquisar, a problematizar,

a deliberar, a analisar, a criar, a argumentar, a produzir

(perguntas, textos, banda desenhada, fotogramas, videogramas, narrativas, dramatizações, desempenho de papéis…).

A pedagogia da descoberta, do problema, da interpelação,

do desafio é um caminho que tem de ser sistematicamente percorrido.

 

7. Fazer dos encontros virtuais interpelações e desafios plurais.

 A pedagogia enunciada tem de se basear na diversidade e na pluralidade de hipóteses e propostas de trabalho.

Tem de propor (e não impor) atividades múltiplas, adequadas aos diferentes contextos,

enunciar as condições possíveis de realização, os critérios da valoração e de sucesso.

A pedagogia da descoberta e do obstáculo

à medida de cada um tem aqui um campo por excelência de realização.

Mas que nos obriga a pensar de forma muito estruturada

as atividades e os desafios que vamos propor.

E só através de um trabalho mais colegial

e colaborativo o conseguiremos fazer.

 

8. Valorizar a avaliação formadora. 

Esqueçam as notas e as classificações.

Foquem-se numa avaliação que possa gerar mais aprendizagem.

Reduzam ao mínimo indispensável a parafernália das evidências, dos registos digitalizados.

Não estamos no tempo do classificar, do ordenar, do hierarquizar, do premiar e do sancionar.

Estamos num tempo de uma avaliação para as aprendizagens relevantes para a vida.

Centrem-se nas aprendizagens essenciais e no perfil desejável do aluno à saída da escolaridade obrigatória.

Nos conhecimentos, nas atitudes, nos valores que é importante promover e desenvolver.

 

9. Esquecer a função seletiva e segregadora da escola. 

Uma das funções sempre praticada pela escola foi a de selecionar os melhores com base na ideologia meritocrática…

Hoje dizia: esqueçam as notas. Considerem as aprendizagens importantes para vivermos no caos.

No limite, considerem as notas atribuídas no final do 2.º período — bem sei que este é um conselho heterodoxo,

mas deixem,de qualquer modo, enunciá-lo.

Considerem a autoavaliação dos alunos, em funções das metas plurais, dos critérios de êxito.

 

 

10. Fazer do professor o inspirador, o organizador, o maestro. 

Este não é o tempo do debitar a matéria.

Do professor ser o transmissor dos conhecimentos prescritos.

É o tempo de inspirar, desafiar, contextualizar as aprendizagens face a novos cenários de vida.

De ensinar o que não se sabe levando os alunos a pesquisar, a procurar, a aprender a formular problemas,

testar hipóteses, compreender os paradoxos do tempo em vivemos.

 

Excerto da carta aberta de José Matias Alves | 6 de maio de 2020

 

estudo

Fotografia de Gaelle Marcel.