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GENERAL E PROFESSOR COVID-19

  • Publicado em quinta-feira, 30 abril 2020 13:47
  • Acessos: 405

 

«O professor de que falo tem o estatuto de general. Está a comandar a Primeira Guerra Mundial.

É certo que no século XX houve duas, assim chamadas “Guerras Mundiais”.

Mas nelas estiveram envolvidas apenas cerca de meia centena de nações.

Nesta, de facto, Primeira Guerra Mundial, estão implicadas todas as nações dos cinco continentes.

É uma guerra planetária. Todas as nações combatem um inimigo comum,

uma espécie de guerreiros extraterrestres, extremamente bem disfarçados que,

ao jeito dos filmes de ficção, invadem palácios e bairros de lata,

dizimam vidas de banqueiros e governantes,

com a mesma facilidade com que fazem desaparecer o povo simples e profissionais de saúde.

Ninguém viu o rosto deste exército de dráculas, pois, ao jeito do polvo,

lançam os seus tentáculos tentando envenenar tudo e todos.

Chamam-lhe “Coronavírus”, dando-lhe importância real; ou mais prosaicamente “Covid-19”.

Mas nunca ninguém o viu olhar para trás, respondendo à chamada e mostrando o seu rosto.

Não vou ampliar as considerações sobre este general comandante chefe de um exército

que está a invadir todos os territórios sobre a face da Terra.

Também não vou falar do medo e angústia por que estão passando as populações atingidas,

muitas vezes morrendo na solidão e sepultadas sem despedidas nem luto.

Quero pôr em evidência algumas sábias lições que este professor general, terrível e implacável, nos está oferecendo.

Dele devemos aprender, seguindo a exortação de Cristo a nos deixarmos ensinar pelas lições de todos, até do administrador infiel.

 

Só somos grandes aceitando a nossa pequenez

A ciência tem avançado espantosamente. Os progressos tecnológicos parecem ultrapassar a nossa imaginação.

Cientistas e laboratórios dão a impressão de criar remédios para todas as doenças.

As nossas mil previdências parecem poder substituir, com vantagem, a confiança na Providência.

A omnipotência divina parece esvaziar-se com a grandeza do “Homem Deus”.

Surge um novo grito concorrencial: “Quem como o Homem?!”

Estamos a ser ensinados que somos muito pequenos, por mais ricos, poderosos e sábios que sejamos.

O esplendor da nossa verdadeira grandeza é quando aceitamos, com humilde realismo, a nossa pequenez.

Alardear virtude ou ciência, poder ou glória, é um exercício de ficção enganadora.

Dêmos ouvidos ao Coronavírus, implacável mestre, que quer ensinar-nos a verdade:

– Mulher ou Homem, sois todos extremamente vulneráveis e mortais!

Acordai dos vossos sonhos de grandeza!

A vossa real grandeza verifica-se quando aceitais o desafio evangélico:

os poderosos serão derrubados de seus tronos e os humildes serão exaltados.

Só é grande quem aceita a sua pequenez. Com amor e humor.

 

A solidariedade fraterna não é um luxo opcional. É uma obrigação universal

Está a cumprir-se o esperançoso ditado popular: “Não há mal que não venha por bem”.

Temos sido despertados da letargia egoísta: “Cada um cuide de si mesmo”, ou “Salve-se quem puder”,

em favor de um grito de fraterna cumplicidade: “Para eu estar bem, preciso de ajudar-te a ti, para que fiques um pouco melhor”.

O vírus do egoísmo envenena o amor e a fraternidade.

Precisamos de nos robustecer com as vitaminas da caridade, defendendo-nos com o antivírus da solicitude fraterna.

Coronavírus, mestre de verdades como uma espada de dois gumes, avisa-nos:

– Escolhei entre viver a morrer, centrados no espelho do vosso egoísmo,

ou então viver a multiplicar gestos de solidariedade que dão vida a quem passa mal.

Recordo-vos a chamada de atenção do Papa Francisco,

naquela inesquecível celebração na Praça de São Pedro em Roma,

com chuva e sozinho, em companhia à solidão de tantos: “Vamos todos no mesmo barco”;

somos os primeiros beneficiados do bem que fazemos aos outros!

 

Seguro realmente seguro só o seguro da confiança

O vírus que circula pelo mundo, parece que à velocidade da luz, é um mal físico,

mas que afeta o nosso psiquismo, o nosso modo de nos relacionarmos.

Anda no ar a pandemia do medo, o vírus da ansiedade, a distância social da desconfiança...

O nosso orgulho de falsos omnipotentes foi agitado por um terramoto que abalou

até aos alicerces a nossa estabilidade emocional, as nossas certezas e seguranças.

A mensagem que nos dirige o professor Coronavírus é tão dura quanto sábia:

– Viveis num mundo em que há seguros para tudo, mas vejo-vos tremendamente inseguros.

Não vos dão estabilidade e paz os números desmedidos das vossas contas bancárias,

os altos cargos, vossos luxos e superior estatuto social.

Viveis numa correria insaciável, sem tempo e vagar para aqueles que amais e deveis servir.

Aprendei que o vosso veloz veículo precisa de travões e de um volante mais pacífico.

Desterrai o medo e fazei o seguro da confiança no Criador providente e na amizade fraterna.

 

A Terra, nossa casa comum, precisa de respirar o ar puro da fraternidade

O consumo desregrado é uma consumição para todos, especialmente para os pobres,

que procuram sobreviver no meio das montanhas do lixo que produzimos.

A avidez do lucro afoga os indigentes nos rios da poluição,

obrigando os poderosos a criar ilhas de luxo,

de costas voltadas para a Terra original e para o seu Criador.

O Coronavírus adverte-nos, gritando às nossas consciências:

– Eu sou o vírus maligno que vós produzistes no laboratório da exploração desenfreada das fontes de energia,

nas montanhosas lixeiras dos vossos desperdícios, nos lençóis de águas contaminadas,

nos bancos e mesas dos que têm tudo à custa da miséria dos que não têm sequer o pão nosso de cada dia.

Deixai a Terra e seus habitantes respirar o oxigénio da partilha fraterna.

Ninguém é dono do mundo e da Terra.

A todos se exige que sejam seus generosos administradores.

 

O implacável professor Coronavírus quer dar-nos sábias lições.

Combatamo-lo com todas as medidas de prevenção e prudência, de higiene e distância social.

Mas ouçamos as lições que nos grita, para que venhamos a ser melhores do que éramos antes.

Aproveitemos esta ocasião única de crescimento pessoal, familiar, comunitário, eclesial, social.

Termino com uma recente mensagem do Papa Francisco:

“Esta pandemia recorda-nos que não existem diferenças nem fronteiras entre os que sofrem.

Somos todos frágeis, iguais e preciosos.

Que mexa connosco: é tempo de remover as desigualdades,

sanar a injustiça que mina pela raiz a saúde da humanidade inteira!”»

 

Manuel Morujão, sj

Artigo de opinião: Blogue | Site Rede Mundial de Oração do Papa (Portugal)

 

 

pexels photo 936175

 Fotografia de Nadine.

 

Positive vibes EMRCPORTO 31 03 2020