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A PÁSCOA É A VOZ QUE NOS RESPONDE

  • Publicado em quinta-feira, 09 abril 2020 22:57
  • Acessos: 406

A Páscoa é a voz que nos responde!

 

No final do conto de Sophia de Mello Breyner Andresen, «A viagem», lê-se:

 

«Compreendia que agora era ela que ia cair no abismo.

Viu que, quando as raízes se rompessem, não se poderia agarrar a nada, nem mesmo a si própria.

Pois era ela própria o que ela agora ia perder. / Compreendeu que lhe restavam somente alguns momentos. /

Então virou a cara para o outro lado do abismo. Tentou ver através da escuridão.

Mas só se via escuridão. Ela, porém, pensou:

– Do outro lado do abismo está com certeza alguém. / E começou a chamar.»

 

Entre mitos, antigos e modernos, que procuram encontrar sentido

até para o que parece não ter sentido algum, e,

assim, dar algum alento aos seres humanos,

no meio de um movimento que parece sempre ameaçar a sua existência,

e meras mentiras com que se educam as pessoas para melhor as dominar,

habitualmente acredita-se que a vida não é um permanente possível abismo.

Ora, a magnífica metáfora que Sophia criou para dar a ver a profunda angústia da vida humana,

é paradigma do que esta é em cada momento que dela se queira considerar.

A vida não é um abismo.

Se assim fosse, Sophia não poria a Mulher do conto a chamar,

dirigindo rosto e voz para o outro lado do abismo.

É que o abismo não é um lugar, é uma situação; uma possível última paixão.

A Mulher do conto, tendo desbaratado todas as oportunidades de viver, ainda assim,

acredita que há um outro lado do abismo, deste modo acreditando que será possível

aniquilar o abismo em vez de ser o abismo a aniquilá-la.

Ora, apenas uma voz que responda à voz da mulher elimina o abismo:

se houver quem responda, haverá possibilidade de anular o abismo, com a ajuda de tal voz.

Se não, então, tudo é abismo.

A Páscoa não é abismo, porque a Páscoa não é a negação da voz que nos pode responder.

Pelo contrário, a Páscoa é a voz que nos responde.

A Páscoa é a negação do sofrimento.

Não é a negação da realidade do ato da cruz, mas é a negação de que tal ato triunfe.

Num tempo de humana catástrofe, em que muitos encaram os últimos dias de sua vida como certo abismo,

que os cristãos vivam a alegria do amor, do amor seu, que é amor de Deus em suas mãos.

Há um absoluto de bem em cada ato de amor

e nesse absoluto encontra-se um especial prazer espiritual

que nos põe imediatamente um gosto a transcendência na alma.

Que se viva!

paix et priere

"Paix et Prière", Malel.

Comentário na íntegra aqui.